E na semana passada me deu uma vontade de caminhar. Sim, sair da minha casa e ver o mundo. Sei que da minha casa não posso ver muito mais do que o interior e a solidão de um lugar com poucos habitantes, mas mesmo assim a vontade de ir me fez colocar um casaco, um gorro, um cachecol, calça e tênis. O típico conjunto “velho de guerra”.Pé ante pé eu ia indo, sem pensar muito no que seriam meus planos de destino. Acho que em momentos conturbados, nada melhor que paz para a cabeça pensar melhor.

Sol nas costas, estrada com britas por todos os lados e a sensação de “posso caminhar pelo mundo inteiro, mas nada vai se comparar a Nova Santa Cruz”. Flores nascendo em valetas, pastagens que a anos tem animais, um riacho que flui barulhento e os pássaros, ah, os pássaros cantando.

Uma solidão tão completa que quase me senti invisível caminhando no entardecer. As famílias em suas casas, os pais ouvindo como foi o dia de seus filhos, todos juntos dividindo um chimarrão (melhor meio para compartilhar os momentos diários) sentados na cozinha ou na sala, fogão a lenha aceso e fazendo fumaça para fora da chaminé.

E eu na rua. Só aquele céu azul se recusando a escurecer e aquele pôr-do-sol rosa (que nem os melhores pintores conseguiriam reproduzir quão lindo é) me fazendo companhia.

Se eu nunca tivesse passado pela minha comunidade, tiraria uma foto para mostrar para meus amigos. Olho para tudo aqui e me vem a a lembrança de lar. Acho que podemos parar de pensar que a paisagem ao redor de nossas casas não é o suficiente por não ser uma “paisagem européia”. Tanta beleza para ser vista, só nos resta abrir os olhos. Nossa terrinha aqui no Brasil tem seu valor!

Igreja Sagrado Coração de Jesus
Animais de Oscar Herrmann
Rosas de Anísia Dick.
Fotos: Alício de Assunção – Inverno 2014.
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