Generosidade sem status

Sempre quando escuto aquela tao comum frase “fazer o bem, sem olhar a quem” eu fico pensativa. Muitos se preocupam em ajudar pessoas que nem conhecem, e os conhecidos ficam quase abandonados. Um familiar precisa de sangue e a pessoa acha que não precisa doar para ajudar, mas quando tem qualquer campanha arranja um tempo. Quem sou eu mesmo para poder comentar isso? É, eu sou só a Bruna. 

Nessas de ser “só a Bruna” é que eu vejo que já fiz o bem, sabendo a quem. Desde minha infância, no colégio onde eu estudava sempre tinham roupas para doação. Sim, era uma escola de interior e nem todas as famílias tinham recursos para comprar sempre roupas novas. Eu ficava feliz a cada vez que alguém doava, pois sabia que uma dessas crianças mais carentes também ficaria mais quentinha nos invernos que insistiam em serem frios.

Como eu não tinha nenhuma prima e nem vizinha do meu tamanho, eu juntava as roupas que não me serviam e deixava na escola  na esperança que alguém pegasse. Conforme o tempo, eu descobri quem pegava, cuidava bem das roupas e ficava com brilho nos olhos a cada vez que eu trazia uma sacola. Por várias vezes doei para essa menina, e até alguns meses atrás eu ainda vi ela vestindo uma das minhas roupas.

Quando eu decidi vir para a Alemanha, não pensei em duas vezes e separei as roupas que eu não iria levar na mala para doar. Eu e minha mãe separamos roupas para o grupo de teatro, amigas, tias e ainda assim conseguimos ajudar pessoas que precisam.

Claro que é importante ajudar pessoas desconhecidas, mas vocês já pensaram que na sua própria cidade vocês podem ajudar alguma família que vive carente? Doar roupas e mantimentos e entregar para a própria pessoa? Conhecer a realidade dela e ver no seu rosto a felicidade por ganhar um presente desses?

Minhas preciosidades que eram meus livros antigos, acabei dando para meus primos. Essa geração de agora prefere muito mais o celular, o videogame, a televisão do que a leitura. Mas a minha atitude por passar os livros que eu ganhei, adiante, foi muito gratificante. Para o meu primo João, dei minha coleção de Heróis do Futuro e mais alguns outros livros que eu tinha recebido de herança dos meus primos mais velhos. Minha tia disse que ele já leu vários.

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Para meu primo Bryan, que ainda não sabe ler, dei meu primeiro livro. Foi complicado para mim entregar ele adiante, pois eu lembrava demais de quantas e quantas vezes minha mãe teve que ler alguma historinha para mim. E fora aquelas de que quando eu tiver algum filho ou filha, seria inédito poder repassar ele. Mas né, acredito que agora ele vai ser melhor aproveitado e meu primo poderá ser um bom leitor no futuro se manter esse hábito de pedir para a mãe ler cada dia uma história.

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Minha dica é: visite sua prefeitura, peça se existe algum projeto de doação ou “apadrinhamento” para pessoas carentes, conheça o lado difícil da vida. Só vendo o sofrimento, entendendo o frio, a fome, a falta de mantimentos que a gente dá valor mesmo a tudo que nós temos e conquistamos.

“Quando pratico o bem, sinto-me bem.
Quando pratico o mal, sinto-me mal.
Essa é a minha religião.”

Abraham Lincoln

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3 pensamentos

  1. Bru, fazia tempo que não lia um texto tão real e tocante.
    Sempre penso nisso… Muitas vezes ajudamos pessoas ‘de fora’, mas não estendemos a mão para quem, muitas vezes, vive na mesma casa que a gente!
    Não só materialmente, mas uma conversa, um ombro amigo..

    Adorei o post!
    Beijos!

    Curtido por 1 pessoa

    1. Sim Vera, penso muito nisso também! Cresci em uma família onde sempre preservávamos a união, a simplicidade, o diálogo. Nunca senti vergonha de usar roupas das minhas primas. Sei também que nem todas as famílias são assim, não julgo, nem tenho nada contra, porém sei que vários tem problemas que talvez eu, com uma atitude minha possa ajudar. No caso da menina que eu entregava minhas roupas, ela cresceu sem o apoio dos pais e “dava” o carinho que ela não podia demonstrar em casa, para mim. Sempre fui recebida com abraços, cartinhas, bilhetes dela. Nunca faltou educação, só melhores oportunidades para a família dela.
      Gostaria que todos em sua vida pudessem conhecer alguém como essa menina para ajudar, é gratificante! Beijo!

      Curtido por 1 pessoa

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