A semana inteira a previsão falava do sol que viria no fim de semana. No sábado viria fraco, mas no domingo faria a neblina ir embora e dar aquela oportunidade do pessoal sair de casa. Eu não sabia o que fazer no fim de semana, mas queria sair de casa. Conversei com umas amigas e tivemos a magnífica ideia de ir para Ulm e Blaubeuren.

No meio de perdas de ônibus e garçonetes que se despedem sem nenhum aviso prévio, ficou tudo confuso. Eu e a Ana estávamos sozinhas na minha nova casa em Erlenmoos e um solzão maravilhoso lá fora. Como tínhamos que esperar um sinal da Pâmela, fomos andar de bicicleta e eu apresentei o Kloster de Ochsenhausen para Ana. As folhas estavam laranjas, amarelas, caindo como se o outono quisesse nos provar que é a estação do ano mais linda. Desconfio que aqui na Alemanha seja!

P1060951

Depois de voltar, eis que aparece a Pâmela. Conversa vai, conversa vem, demoramos para ir para a cozinha. Optamos juntar o útil e o agradável (com uma pontinha de praticidade) e fizemos carreteiro. Sim, bem coisa de gaúcha mesmo! Ficou uma delícia…

Quando acordamos no outro dia, vimos que a única coisa do lado de fora de casa que tinha era… neblina! E o sol? Que nada! O dia inteiro ele não saiu. Como nossa vontade era de sair e conhecer Blaubeuren, fomos do mesmo assim (na esperança de o tempo melhorar). Não melhorou, mas foi lindo do mesmo jeito! Minha mãe, que já tinha ido para lá, sabia de tudo sobre o local: menos pronunciar o nome direito… Virou a piadinha do dia, tudo era Blauloch! Tem muito blau nessa história, eu concordo!

Quando chegamos em Blaubeuren, levamos o susto do ano: o lago parecia pequeno e verde! Quase começamos a reclamar de Deus e o mundo, mas depois vimos que do outro lado era azul mesmo. Pecamos por nossa antecipação.

Julieta, Bruna, Ana Paula e Pâmela

P1070014

Bom, o que  me interessou a ir para esse lugar (além do caso da água ser super azul), foi a história da mulher da estátua que está na beira do Blautopf: A bela Lau.

A lenda sobre essa mulher foi escrita por Eduard Mörike, como diz a placa. De acordo com ele (e o que eu entendi do que estava escrito em alemão), em Blaubeuren, logo atrás do antigo mosteiro, existia o Blautopf. Por ele saía um riacho que caía para o Danúbio. O interior dele era como um funil. Sua cor era de um azul profundo, difícil de descrever com palavras. Em um canto do riacho estava uma sereia com cabelo frouxo e longo. Seu corpo era como o de uma bela mulher. Linda, porém tinha escamas entre os dedos das mãos e dos pés e uma joia em formato de folha. Seu rosto parecia esbranquiçado, cabelo preto, olhos  azuis. As pessoas à chamavam de Lau do Blautopf, provavelmente a mais bela Lau.

Ela foi banida do rio Danúbio (sua casa) por seu marido. Ele brigava com ela pois ela nunca conseguia ter filhos, eles sempre nasciam mortos. O castigo dela era o seguinte: ela só poderia voltar para casa para ter filhos se ela sorrisse de coração 5 vezes. Para um ser triste como ela, isso era super difícil conseguir sozinha.

Um dia, uma mulher que tinha um restaurante perto do Blautopf a encontrou perto do moinho e pediu qual era a causa de sua tristeza. Ela logo contou do que aconteceu com seus filhos e sua vida. Como a mulher era extremamente gentil, a sereia Lau ajudou o restaurante da mulher a se tornar mais atrativo para os clientes (fez com que flores aparecessem no local). A mulher e sua família ficaram tao felizes com isso que resolveram retribuir. Fizeram com que a sereia voltasse a sorrir e com isso tivesse muitos filhos.

O mais interessante de tudo isso, é que não conseguem medir a profundidade do Blautopf com toda a certeza. Sempre que colocam uma fita métrica dentro da água, ela volta cortada. Supostamente é obra da bela Lau…

Não vou dar os dados técnicos da água e nem comentar sobre os motivos de ela ter sorrido novamente (apesar de isto estar escrito na história), eu não sou boa ainda em traduzir textos e não entendo muito de biologia.

Espero que tenha sido o suficiente… Para mim o fim de semana foi! Beijos!

Anúncios