“Ah, legal, você é Au-Pair”.

Eu, Bruna, sou Au-Pair. Vim para a Alemanha em agosto de 2014 para trabalhar, não ficar de turismo. Esse comentário em negrito acima vários falam, porém mentalmente se perguntam: o que é ser Au-Pair? O francês dá a ideia errônea de que isto se trata de par, um par no sentido de prostituição. Porém ser Au-Pair não é nada disso. Pensei em escrever esse post para explicar como que é esse tipo de trabalho, pois muitos vem tirar dúvidas comigo e eu nem sempre consigo explicar com todos os detalhes.

Para começar, quero que vocês tentem imaginar uma situação comigo. Supondo que exista uma família constituída somente de um homem e uma mulher. Eles se casam, constroem uma casa, trabalham em empregos que dão uma bela renda, até que chega a hora de terem filhos. A mulher engravida de um, depois mais um e assim vai, até chegar no terceiro filho. Ok, com tantos filhos ela não tem como trabalhar direito e por isso decide ficar em casa. O emprego dela é mantido pela empresa para quando ela estiver disponível para voltar, ela ganha uma renda por ter que ficar em casa com os filhos, o governo paga para ela ficar em casa também, mas mesmo assim não é o suficiente. Com tantos filhos para cuidar, ela continua não conseguindo fazer todas as tarefas de casa. É ou a casa, ou os filhos. Ela acaba se desgastando em casa sozinha mais do que estaria se estivesse no emprego. É aí que entra a Au-Pair.

Au-Pairs fazem tudo o que uma mulher faria em casa, mas tudo depende. Tem famílias que querem que a aupair fique só com as crianças, tem outras que querem alguém só para deixar a casa em ordem, lavar a roupa, passar, cozinhar… É como se a pessoa fosse mãe das crianças, porém empregada. O relacionamento de família hospedeira e a pessoa que veio trabalhar tem que ser amistosa, então em ambas as partes tem que ter um certo esforço para se acostumar com as diferenças. É um país diferente, uma língua diferente e os costumes diferentes também…

A função é ser ajudante do lar, ser a pessoa que vai tornar a vida da família hospedeira mais fácil. Em geral, a Au-Pair precisa trabalhar 5 horas por dia, com 1 dia da semana de folga (sendo que este dia tem que ser pelo menos uma vez por mês no domingo). Como fica mais prático, várias famílias combinam que a aupair fique 6 horas por dia trabalhando e ganhe todo o fim de semana livre. O que acontece comigo.

Existem duas questões para aqueles que pretendem vir ou já estão aqui:

1- Quando você dá a mão, já querem o braço: Cuidado! Nos primeiros meses, quando a pessoa chega aqui e tenta se dar bem com os chefes, acaba fazendo mil e uma coisas para eles e deixa de aproveitar seus tempinhos de folga. Com o tempo, toda a “ajudinha” vira uma obrigação… quando você não fizer, logo vão vir pedir porque você não fez. Como eu escrevi em um outro post: ser bom demais com os outros gera gente folgada.

2- Ficar com vergonha de pedir favores para a família hospedeira: Isto não! Você recebe uma carta linda para levar no consulado dizendo que a família se compromete a te tratar como filho. Não existe essa de ter vergonha de pedir algo. Você trabalha, tem seus horários, mas também tem uma vida social. Dependendo do horário que você termina, já não tem mais nenhum jeito de ir e vir, então ou você fica em casa e não conhece nada do país que você está, ou pede. Se eles são como seus pais, eles vão ter que achar uma maneira. Você é a solucão  para os problemas deles e eles devem ter consciência que você precisa deles também.

Continuando…

A Au-Pair tem direito a um Wohnung, que seria uma “casa” ou um “quarto”. Muitos ganham um quarto fora da casa principal, onde podem ter mais privacidade. Geralmente esses quartos tem banheiro e cozinha, são ótimos para receber visita e não ter que se preocupar com nada. Como nem tudo nessa vida são flores, a maioria acaba ganhando um quarto da casa para si, muitas vezes no porão (como eu). Não se assustem com a ideia do porão, na maioria das vezes eles são mais bonitos e aconchegantes que os demais quartos. Mas que seria bom todas as aupairs terem um lugar extra pra si, ah isso seria!

A família paga seguro de vida para os Au-Pairs, então se acontecer algo aqui, determinados serviços médicos a família paga. Claro que em situações de doenças sexualmente transmissíveis, gravidez, alcoolismo, drogas, a família não tem nada a ver, podendo assim até te mandar procurar outra família que te aceite. Como qualquer outro emprego, aqui tem vários limites.

O salário depende muito de família para família, como pessoas também variam entre si. Enquanto tem os justos que te pagam por qualquer serviço a mais que é feito, também tem aqueles que te tratam como mão de obra barata e não te pagam um centavo a mais do que o escrito no contrato. Também cabe ao Au-Pair se informar com os próprios chefes sobre como funcionam as coisas. Em questão de dinheiro, as famílias abrem uma conta no banco e depositam todos os meses, então é só você retirar. Aupairs são vistos como os pobres por aqui, pois o valor recebido é bem abaixo do salário mínimo alemão. Se você for aupair (ou conhece alguém que seja), informe que muitas atividades culturais tem descontos para quem está trabalhando nessa função. Ex: Bondinho para subir a montanha em Bregenz, Museu da Mercedes Benz em Stuttgart…

Isso? Isso foi apenas o começo sobre as muitas dúvidas que eu tenho que esclarecer para algumas pessoas. Ser Au-Pair é algo maravilhoso, mas tem coisas que é muito bom saber antes, para depois não cair de cara no chão. Ainda estão mais curiosos? Logo mais vem mais posts falando dessa experiência. Quer ser Au-Pair e tem mais dúvidas ainda? Me escreva nos comentários ou me envie um e-mail no Contato, vou adorar receber e te dar uma “luz”. Já foi Au-Pair e viveu uma situação parecida? Compartilhe comigo também… É com nossos desabafos e dicas que a próxima geração de Au-Pairs vai se tornando menos dependente e submissa!

Beijos.

P.S.: Citei o texto inteiro a Au-Pair sendo mulher, porém existem muitos homens nessa função também… e nenhum se torna menos másculo por causa disso. 

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