Analfabetismo funcional

De acordo com o Instituto Paulo Montenegro:

É considerada analfabeta funcional a pessoa que, mesmo sabendo ler e escrever um enunciado simples, como um bilhete, por exemplo, ainda não tem as habilidades de leitura, escrita e cálculo necessárias para participar da vida social em suas diversas dimensões: no âmbito comunitário, no universo do trabalho e da política, por exemplo.

Que o mundo está cheio de pessoas que se dizem avessas a leitura e a escrita, isso todos sabemos que é verdade. Reclamam que palavras são entediantes, que livros e jornais são desnecessários e que leitura não ajuda em nada. Acham que os hábitos de quem se mantém informado são perda de tempo e no fim reclamam por nunca crescerem no emprego e levarem uma vida monótona.

Refletindo sobre isso eu vi um dos maiores problemas que envolvem esse assunto: falta de interesse. Muitos alunos na época escolar nunca tiveram alguém que dissesse que leitura é importante, faltava aquele apoio de alguém ou a própria curiosidade por procurar. Então passam os anos do término do período escolar e a única coisa que continuam fazendo é trabalhar e dizer que não tem tempo para essas coisas. Inventam desculpas para tudo e continuam não vendo a graça em aprender. Acho que leitura e escrita não são algo como andar de bicicleta, a partir de um tempo a gramática simplesmente some.

Para os brasileiros existe o português de cada região: os “uáis” mineiros, os “tchês” gaúchos, os “bixinhos” baianos… Todos eles e muitos mais, fazem parte do dialeto de cada região, mas também são vícios de linguagem. Convivendo muito tempo com eles, a hora de escrever se torna complicada. “Você” não conjuga verbo, agora encontre alguém que conjugue todos os verbos depois de um “tu”… Fazem parte daquela raridade de pessoas que ainda escreve corretamente.

Quem está na situação de aprender um novo idioma e sempre vê dificuldade na gramática, percebe o quão importante é saber bem a sua língua materna. Como você, pessoa, se atreveria a dizer que um estrangeiro não pode te corrigir quando nem você sabe falar corretamente o idioma do seu país? É se livrando de uns “tá” ao invés de “está”, uns “tô” no lugar de “estou”, que nós nos fortalecemos na escrita. Comparem o vocabulário de um leitor com alguém que não tem esse amor por livros que vocês saberão do que eu estou comentando.

Vamos começar a espalhar essa dádiva que é ser alfabetizado com todo o carinho, vamos plantar a sementinha do conhecimento em mentes inférteis. Vamos nos corrigir, estudar, tentar. O que vale é a tentativa… e depois da tentativa, o sucesso!

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6 pensamentos

  1. Ah! Os meus “tô e meus “tá”! Condenam-me em bate papos! Tu sabes do que estou falando, Bru! Haha! Ainda bem que não perco o costume da leitura e de escrever aqui bi blog, senão, perderia muito do que aprendi. O que mais me intrigava era: como eu sabia escrever tão bem sem ao menos ter o hábito de ler esses livros grandes? A resposta estava na minha frente, eram os gibis que meu pai comprava pra mim quando eu era menor e minha dedicação na escola. Descobri que sim, as crianças podem ter o hábito da leitura e aprenderem a escrever bem divertindo-se, ao mesmo tempo! Mas, como os bate papos acabam com a nossa escrita, não é bom dar a eles celulares ou deixá-los terem redes sociais tão novos.

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      1. Lisandra, adorei seu comentário.
        Crianças podem ter um bom hábito de leitura, desde que façam isso por prazer e não por cobrança. Eu lia aquelas coleções como “Vagalume Júnior” e adorava, sendo que vários me julgavam por isso. Quando começou a modinha do msn eu achava feio escrever “pq”, “n”, “ta”, mas para nao parecer estranha acabei caindo em tentação. Agora que me livrei dos “tipo” e “né”, percebo que poderia ter deixado muito mais palavras para trás, elas realmente nao fariam falta. Eu também sou partidária dessas de nao dar eletrônicos para as crianças. Acaba com toda a infância delas, perdem a inocência tao cedo…
        Um beijao minha querida!

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  2. Não sei, acredito que eu seja também um analfabeto funcional se for seguir os literários da ABL, Mesmo assim percebo neles uma forçada de barra, quando sabemos que nosso idioma precede de idiomas indígenas como o Tupi/Guarani e principalmente do Kimbundu/Kikongo. Depois da briga que ocorreu entre eles fico só pelas beiradas afinal o que seria correto? Drummond foi categórico quando disse “Tinha” e não o “Havia”.
    Como digo em minha poesia prefiro a minha…
    https://kambami.wordpress.com/2013/05/04/escrita-literal-ou-vulgar/
    😉

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    1. Isa!
      É por esses casos como o seu que eu adoro comentar o bem que a leitura faz. Muitos nunca leram um livro e dizem que isto é chato, mas só falta achar o estilo de leitura que mais chame atenção.. Espero que agora o seu amor por livros tenha aflorado!
      Um beijo, Bruna.

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