Incapacidade brasileira ou intolerância alemã?

“Não posso ser seu amigo, não sei falar alemão corretamente”.

Essa frase seria normal vindo de alguém que não conhece a língua alemã, porém eu escutei isso de um vizinho meu aqui na Alemanha. Pensem minha reação no momento, não sabia se ele estava fazendo piada com minha falta de vocabulário, muito menos a intenção dele. Momentos depois ele se corrigiu e disse “para quem está acostumado com o dialeto da região, fica difícil “lembrar” do alemão”. Achei isso o cúmulo.

Enquanto eu fazia meu curso era uma tragédia. Em casa só falavam o dialeto, na escola, Hochdeutsch (alemão oficial). Claro que eu tenho que aprender o correto, mas quem em casa que se lembrava de me ajudar em várias situações? Ninguém. E como discernir o correto do dialeto? Nem eu sei como eu faço isso até hoje.

Eu vivo na região da Suábia, aqui todos tem um sotaque super diferente. O alemão em si já tem uns sons estranhos, mas aqui onde eu moro parece que colocam um “le” no fim de quase todas as palavras e um monte de “sch” no meio. Falam rápido, “engolem” sílabas, invertem as palavras dentro das frases e ainda exigem que nós, míseros seres humanos vivendo longe do habitat natural, entendamos.

Só esse schwäbisch (dialeto) já me rendeu várias pérolas e eu tenho a certeza total de que renderá ainda mais. Minha motivação em entender o dialeto e falar alemão fluentemente vem de todas as pessoas que tentam aprender algum idioma diferente da língua mãe. Por todos aqueles que já se sentiram na mesma situação que eu e que convivem com isto todos os dias.

Força para aguentar toda essa luta!

Se você leu até aqui, beijo no seu coração. Até!

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10 pensamentos

  1. Eu já tenho tanta dificuldade pra conseguir falar alemão, imagino se eu ainda tivesse que conviver com um dialeto pra me confundir! Eu quase fui Au Pair nessa região onde você está, mas no final das contas acabei me decidindo por Hamburgo por ser uma cidade maior, aqui quase ninguém fala o dialeto, só há mais regionalismos da língua 🙂

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    1. Se eu tivesse pensado um pouco mais antes de vir, teria escolhido uma cidade um pouco maior também… Fez uma ótima escolha! Aqui o dialeto é muito forte, provavelmente se eu fosse para Hamburg e falasse ele ninguém me entenderia. Mas o bacana do dialeto é a chance de entrar na história do povo daqui, eles valorizam bem mais uma conversa com quem sabe.
      Beijo 🙂

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  2. Nossa, Bru
    Eu não consigo imaginar o que você passa aí.. Sempre que leio de alguém que tá fora ou que foi pra fora que sentiu dificuldade com a língua, é difícil de compreender como.. Mas pelo seu post deu pra sentir o desespero que deve ser não conseguir se comunicar com tanta facilidade.
    Acredito muito que são nossas limitações que nos fazem melhores, então, força!
    Beijo grande!♥

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    1. Vera!
      No meio de tantas coisas que poderiam me fazer desistir, tem muitas coisas que me fazem continuar… Nem tudo é ruim e difícil aqui, tem muitas pessoas que realmente ajudam. Mas o complicado são as horas em que bate um branco, você pode explicar 50 vezes o que quer e a pessoa insiste em não entender. São situações novas a cada dia, mas é muito bom ver que sempre se tem um progresso. Talvez daqui a uns anos eu consiga “enganar” que sou alemã e tentar aprender mais um idioma com fluência ainda.
      Força pra ti também, nós todas precisamos!
      Beijão!

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  3. Não achei, e nem nunca achei que linguagem fosse motivo pra ridicularizar ou menosprezar alguém, melhor dizendo, nunca encontrei motivo algum para tal. Cada ser humano, independente de nacionalidade ou outra coisa, tem suas limitações e seu próprio ritmo…
    Admiro sua perseverança, que vale mais do que qualquer conhecimento pois, com perseverança, conseguimos alcançar qualquer coisa!
    Bjuss

    http://mulherpequena.wordpress.com

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    1. Mari, o caso é aqui muitas vezes não levam em consideração nossa tentativa.
      Enquanto eu que me mudei para um país a mais de 10.000 km de casa, moro com estranhos, estou aprendendo na marra um idioma diferente, muitos aqui com a minha idade nunca fizeram nada por si mesmos. Tratam os estrangeiros como se fossem estranhos, porém eu pelo menos tento. São poucos os que me tratam como diferente, mas aqui tem muita gente bacana também!
      Espero que nós consigamos… todas!
      Beijos.

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    1. Querida Mia
      “Há males que vem para o bem”, levo isto como filosofia. Essas dificuldades acabam me deixando mais forte, é complicado, mas eu sei que não é impossível de lidar.
      Obrigada pelo seu comentário…
      Beijo.

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  4. Pessoas são pessoas, não importa de onde elas vieram. E o Brasil é um país riquíssimo. Tenho muito orgulho de dizer que sou brasileira. Não desista mesmo, acho que se alguém não quer ser seu amigo por conta das suas dificuldades linguísticas, sua amizade é coisa boa demais pra ela.

    Imagino que essa questão do dialeto deve dar um nó no cérebro, mas depois você vai olhar pra trás e ficar orgulhasa! 😉

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    1. Vanessa, concordo com você.
      O Brasil pode ter muitos defeitos, porém é um lugar muito bonito e cheio de cultura… Não pretendo desistir tao cedo. Cada pessoa que fala “ah, você fala bem alemão para alguém que tem outra língua como mãe” me ajuda a ter vontade de continuar. Não tenho nem como botar em estatística minha melhora no idioma desde que eu cheguei aqui. Vivendo e aprendendo… espero mesmo poder ficar orgulhosa disto!
      Beijão!

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