“Não posso ser seu amigo, não sei falar alemão corretamente”.

Essa frase seria normal vindo de alguém que não conhece a língua alemã, porém eu escutei isso de um vizinho meu aqui na Alemanha. Pensem minha reação no momento, não sabia se ele estava fazendo piada com minha falta de vocabulário, muito menos a intenção dele. Momentos depois ele se corrigiu e disse “para quem está acostumado com o dialeto da região, fica difícil “lembrar” do alemão”. Achei isso o cúmulo.

Enquanto eu fazia meu curso era uma tragédia. Em casa só falavam o dialeto, na escola, Hochdeutsch (alemão oficial). Claro que eu tenho que aprender o correto, mas quem em casa que se lembrava de me ajudar em várias situações? Ninguém. E como discernir o correto do dialeto? Nem eu sei como eu faço isso até hoje.

Eu vivo na região da Suábia, aqui todos tem um sotaque super diferente. O alemão em si já tem uns sons estranhos, mas aqui onde eu moro parece que colocam um “le” no fim de quase todas as palavras e um monte de “sch” no meio. Falam rápido, “engolem” sílabas, invertem as palavras dentro das frases e ainda exigem que nós, míseros seres humanos vivendo longe do habitat natural, entendamos.

Só esse schwäbisch (dialeto) já me rendeu várias pérolas e eu tenho a total certeza de que renderá ainda mais.

Minha motivação em entender o dialeto e falar alemão fluentemente vem de todas as pessoas que tentam aprender algum idioma diferente da língua mãe. Por todos aqueles que já se sentiram na mesma situação que eu e que convivem com isto todos os dias.

Força para aguentar toda essa luta! Posso ter essa teimosia alemã encarnada desde sempre, mas também tenho orgulho de onde eu vim, não sou menos por não ter nascido em país desenvolvido…

Se você leu até aqui, beijo no seu coração. Até!

Anúncios