No sábado o Luís voltou da Alemanha e com ele veio uma bagagem emocional e turística muito grande. Em junho, fui eu quem fiz o caminho de volta. Voltei para casa em que eu fui criada aqui no Brasil sendo que o máximo de viagens que eu havia feito sozinha eram os percursos entre a casa da minha família hospedeira e onde minhas amigas e minha mãe moravam. Foi interessante para mim ter uma experiência assim justo nessa fase da minha vida.

Nossas motivações eram diferentes (minhas e do Luís), eu vim de férias, ele para tomar um rumo diferente na vida. Agora que está chegando a hora de voltar à Alemanha me vem na cabeça a quantidade de coisa que eu deixei de fazer desde que vim. Poderia ter viajado mais, ter ido na casa de pessoas para visitas, mas não. Acabei ficando muito tempo em casa passando tempo descansando, lendo, conversando com a família e jogando carta com os familiares. Da mesma forma eu aproveitei um monte também, mas do meu jeito e com pessoas que eu realmente gosto.

Tem muitas pessoas que acham que isto não é algo divertido, mas a saudade que temos dessas pequenas coisas enquanto estamos longe é a dor que mais dói. Dói ver as fotos dos churrascos de domingo e saber que não dá para se fazer presente, dói contarem das tristezas, doenças e saber que de longe você realmente não pode fazer nada. Acho que só quem mora longe de sua família que sente isso, sente que o amor só aumenta e como os “colos de mãe”, ombros amigos e palavras sinceras fazem falta no dia-a-dia. É estranho ter um oceano e mais milhares de km de distância atrapalhando quando você só precisa de um beijo de vó e um abraço de urso do avô.

Mais um ano que eu estou aqui no Brasil tendo que ir me despedindo lentamente de tudo o que eu me reacostumei, dos vizinhos, dos passeios com os amigos, para ir para outro país e ter que aprender a conviver com todas as diferenças que tem lá. São escolhas feitas e agora resta aturar as consequências, mais uma vez a vida divergindo de uma fase pra outra e fazendo valer o nome do blog.

Mesmo com todo esse lado ruim é uma experiência ótima poder ter essas novas oportunidades, essas mudanças fazem valer…

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Apenas um pouco do que eu vi desde que voltei…

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Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas que já têm a forma do nosso corpo e esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia e se não ousarmos fazê-la teremos ficado para sempre a margem de nós mesmos…

Fernando Teixeira de Andrade

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