O ano começou fazem alguns dias e eu realmente não queria estar fazendo um daqueles flashbacks clichês, porém entre frases e outras eu estou praticamente fazendo isto. Ao lado de um prato com comida que já está fria, uma pia com coisas para terminar de limpar e um fogo que necessita de lenha, estou eu. Eu, tentando escrever coisas enquanto não decido se quero beber uma xícara de café ou talvez uma taça de vinho.

Cada vez mais aquela frase “você nunca fica mais novo” bate na minha cabeça. Quanto mais velho você fica, mais responsabilidades entram na sua vida. No momento estou morando sozinha e só agora que eu vi que mesmo sempre fazendo minhas coisas, eu era muito ausente na hora de pegar pesado aqui em casa. Se eu não faço fogo, mais tarde não tem água quente para tomar banho ou uma casa quentinha para conseguir aguentar a temperatura negativa fora de casa.

Nesses primeiros dias do ano a cabeça da gente sempre cisma em fazer coisas diferentes. Cisma em mudanças, dietas, aulas de culinária, yoga ou muitas outras coisas. Eu já comecei a imaginar isso bem mais cedo, só que por ironia do destino só consegui colocar para fora agora. Vivo pensando em grandes mudanças, mas agora chegou o momento de dar valor para o mais importante e não aquilo o que eu começo e nunca consigo terminar. Claro que isso vale para o blog também!

Eu cresci em um lugar pequeno onde a comunidade só tinha uma rua de 10km de extensão. Nesses 10km, viviam somente umas 200 pessoas e eu sempre achei que isso fosse bom e suficiente para a minha vida. Era a típica menina-menino, brincava de todas as brincadeiras, tinha cicatrizes, manchas roxas, não se preocupava com meninos na infância. Estudava, era boa aluna, porém uma menina muito solitária. Ninguém queria saber sobre o que eu achava legal, o que eu gostava de brincar, tinha colegas que não gostavam de serem minhas amigas e eu nem sabia por qual motivo. Na solidão, encontrei amigos nos livros. Eram pessoas aventureiras, inteligentes, apaixonadas, criativas…. sempre quis ser assim! Queria ir para a Europa e ver os lugares que tanto apareceram nas minhas histórias. Parecia que a vida longe de onde eu morava era bem mais livre e divertida do que aquele lugar onde eu me encontrava. Com a internet vieram coisas boas, mas também ruins. Aquela que amava livros, começou a deixá-los de lado para conversar com pessoas que moravam a muuuuitos quilômetros de distância. Comecei a perder tempo, desviar minha atenção para coisas que não atrairiam nada de bom para meu futuro.

Outra coisa: sempre fui aquela que sentia vergonha de si mesma. Me sentia mal com o que vestia, mas nunca mudava realmente o jeito de me arrumar. Não tinha dinheiro o suficiente para comprar coisas para sair pois elas não eram as roupas que eu precisaria mesmo para o dia-a-dia. Comprava somente coisas confortáveis e simples e quando chegavam os fins de semana, festas e afins, sempre me sentia feia. Os quilos a mais, comentários impertinentes de colegas e as vezes até da família, só faziam sentir pior. Achava que nenhum garoto poderia me amar pois eu não era bonita o suficiente.

Tive um relacionamento que não terminou bem, outros casos que nem em relacionamento terminaram, um coração que foi ficando cada vez um pouco mais seletivo ao ponto de não se deixar enganar por ninguém. Fui cultivando minha ironia e sarcasmo e é realmente difícil achar um homem que me entenda e ache que meu jeito de conversar não é grosseria.

Desde que eu vim para a Alemanha parece que minha vida mudou do avesso. Parece engraçado, mas como nos filmes eu vi que o avesso pode ser o meu lado favorito. Eu conheci tantas coisas que me fizeram mudar tanto, mas tanto que eu nem lembro direito como eu era antes. O jeito que eu era em janeiro, fevereiro de 2015 não parece em nada do que eu me sinto no início desse 2016. Agora me sinto muito mais madura, autossuficiente e mais dona da minha vida. Minha auto estima não tem mais problemas com ela mesma. Eu me sinto bem, me sinto linda e aqueles comentários de “nossa, você engordou??” não me afetam mais. Vi que podem existir mulheres com corpo perfeito, mas só o fato de o meu não ser igual não me torna mais feia, talvez somente diferente ou fascinante para quem goste.

Vi que redes sociais como o Facebook só alienam as pessoas. Noticiários não são apenas sensacionalistas, eles tentam dar enfoque no que nós realmente teríamos que dar enfoque enquanto estamos presas a algo como novelas e BBBs. E a escola em si? O quanto deixamos de aprender enquanto conversávamos e não fazíamos os trabalhos com todo o cuidado que deveríamos ter? Hoje penso que devo ter ficado alheia a inúmeras aulas de história e geografia sobre o Brasil e o mundo num geral.

bruna-eichbuehl

Olá, eu sou a Bruna. Bruna de 17 verões e logo 3 invernos, invernos frios e verões que sempre foram extremos demais. Bruna que está com o pé nos vinte e só agora está vendo o quanto sabe pouco da vida.

Ninguém celebra ou comemora vinte anos. Comemoram 18 que nem malucos, trinta se sentindo na melhor época da vida. Vai entender, não é? Que eu consiga tornar esse ano mágico…. e claro, isso eu desejo para você que está lendo também! Viva 2016!!

 

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