Quando eu escrevo que estou fazendo um ano social na Alemanha, essa é apenas a forma mais fácil de explicar a situação. O nome verdadeiro do que eu estou fazendo é Bundesfreiwilligendienst. Esse nome complicado nada mais significa do que se candidatar e ganhar uma vaga para trabalhar em determinados empresas e fazer um serviço que a maioria não faria voluntariamente.

Inicialmente, essa forma de serviço valia somente para homens. No Brasil o alistamento é obrigatório quando um rapaz chega a idade de 18 anos, mas aqui na Alemanha este serviço deixou de ser. Aqui acontecia o seguinte: antigamente quando um não queria ir ao Exército ele poderia fazer um ano voluntário e esse tal ano era o Zivildienst. Com o passar dos anos viram que essa forma de serviço poderia ser diferente, então remodelaram o projeto e criaram o que eu estou trabalhando no momento. Agora homens e mulheres de 18 a 27 anos podem se candidatar e a duração do serviço é de 6 a 12 meses.

Geralmente são em certas áreas de hospitais (como laboratório, desinfecção de instrumentos, higiene de pacientes, alas psiquiátricas, ala de autistas, ala de deficientes em reabilitação de acidentes…), creches, asilos, prefeituras… e é um serviço onde as pessoas podem colher conhecimento e ver se o serviço social pode ser uma boa oportunidade para o futuro. Porém (sempre tem um porém), as pessoas não podem fazer muita coisa sem a autorização direta de um superior. Imagine você no meio de uma sala repleta de crianças com fraldas cheias e sujas… você só poderá trocar alguma se sua colega de serviço formada estiver do seu lado.

O ponto bacana disso tudo é que eles não tem muita coisa contra contratar estrangeiros, são bem abertos nas escolhas pois realmente são poucas as pessoas que gostam desse tipo de serviço. Não é qualquer um que quer conviver com a morte diariamente, ou o lado feio dos acidentes, o quanto é difícil a aceitação quando de um dia para o outro alguém tem que conviver com uma deficiência… a frieza na hora de lidar com tudo vale muito.

O local onde eu consegui uma vaga é um asilo. Lá tem vários idosos com idades entre 75 e 90 e tantos anos, além de alguns que ficam apenas semanas e depois voltam para sua família.

A abreviação do meu cargo se chama “bufdi” e eu particularmente prefiro assim do que dizer o nome completo. Acho que todos preferem…

O que acharam? Interessante isso ser uma opção para quem não sabe como continuar com a escola, não é?

Auf Wiedersehen!!

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