Saudades de ser criança.

Saudades de ver as gotas de chuva caindo pelo lado de fora da janela do carro,
De quando a minha única preocupação era o que eu iria ganhar no natal,
De fingir que não tinha braços apenas colocando-os dentro da camiseta,
De soprar bolhas de sabão.

Saudades de ir no mar e fazer castelinhos de areia,
De brincar de todas as brincadeiras com meus primos,
De tomar banho de chuva sem me preocupar se ia molhar o celular, porque eu não tinha um.

Saudades de brincar de boneca,
De tomar banho de piscina,
De tomar banho de mangueira,
De correr, cair e correr de novo,
De brincar de esconde-esconde, pega ladrão, dominó, Sonic no video game.

Saudades de quando o vô colocava a escada pra eu subir na árvore,
De estar com sono e deitar no colo da minha mãe,
De tomar um leite bem quentinho e dormir agarrada em um ursinho.

Saudades de ser inocente,
De não ter malícias,
De amar e abraçar minha mãe mais do que qualquer outra pessoa,
De sorrir o sorriso mais livre e sincero,
De quando os choros eram somente por arranhar os joelhos ou por quando eu não ganhava algum brinquedo.

Saudades de só fazer as pessoas sorrirem,
De jamais fazer algum mal a elas,
De não me preocupar com nada,
De respirar o ar mais puro,
De não sentir culpa ou dor emocional.

Saudades de não ter responsabilidades,
De não ter que me preocupar com relacionamentos,
De não chorar por isso,
De não fazer quem eu amo sofrer.

Saudades,
Desse tempo que não volta,
Daquelas pessoas e animais que não voltam.

E disso tudo,
A única coisa de que eu não sinto falta foi quando eu disse que queria crescer logo.
Ter 18 anos ou mais não são rosas, não como eram antes.

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