Era Carnaval em Ochsenhausen. Eu particularmente achava que não seria lá grande coisa, no fundo eu previa que aconteceria algo para me deixar meio chateada. Sabem aquela sensação que dá antes de sair de casa avisando que vai dar m*rda a noite? Pois é.

Coloquei minha fantasia de pirata composta de tapa-olho, chapéu, pistola, luneta e fui. Obviamente também duas calças, duas blusas e jaqueta incrementando o look. Com graus negativos fora de casa eu não consigo andar só de meia-calca e vestido, nem sou maluca o suficiente para isso. Chegando lá encontrei umas amigas e fomos parar em uma daquelas cabanas onde tem música para dançar e muitas pessoas bêbadas fazendo besteira.

Foi chegar e notamos um monte de pessoas com fantasias criativas, tanto que eu acabei apontando para um homem com minha pistola e ele se virou e viu. Se virou e me deu um daqueles sorrisos dignos de derreter corações. Eu juro que não tinha feito aquilo com o propósito de chamar atenção dele, só queria mostrar para minhas amigas que aquele look anos 5o era engraçadinho. Minha amiga logo disse “socorro, me apaixonei” e ele começou a vir na nossa direção.

Eu certa que não era para mim, acabei virando a cara e quando vejo o tal homem do sorriso lindo estava do meu lado e interessado em conversar comigo. Não é normal acontecer alguma coisa disso com a minha pessoa, geralmente os homens lindos nunca demonstram interesse por mim. Particularmente, também tenho aversão a pessoas bonitas demais. Enfim, ele começou a conversar de um jeito tão querido que foi impossível não ficar com a pulga atrás da orelha com ele.

Conversa vai e conversa vem, ele acaba perguntando de relacionamentos. Eu disse que não sabia direito o que achava sobre o assunto vendo o tempo que nunca mais me dei a chance de tentar. Ele ficou impressionado pela quantidade de anos que eu estou solteira e o fato de ter tido um namorado aos 17, e eu fiquei impressionada por ele levar uma coisa boba dessas como algo importante. Ele, Patricius (Pati) pelo que eu lembro, trabalha para uma grande empresa e passa a noite em hotéis de segunda a quinta-feira devido aos compromissos. Aos 25 tem uma casa, carro, filha de 2 anos sendo criada por uma babá e com todo o individualismo presente naquele corpo malhado, não conseguia entender como eu não queria nada de sério com ele.

“Como assim tu não quer nada comigo? Eu tenho tudo!!!”

“Hey cara, calma” foi meu argumento, mas isso ele também não gostou de ouvir. Se virou, foi embora e eu só gritei “tu acha que vai conseguir achar a mulher da tua vida com um papo desses no carnaval? Vai te tratar seu maluco!”

Ele disse um “sorry” e mais tarde quando vi ele estava fora da festa sentadinho em um canto. Sozinho.

O que uma pessoa com uma filha de 2 anos em casa e que não faz nada em função da educação dela (além de dar dinheiro) tem o que falar de mim? Narcisista, isso sim. Falta aquele desconfiômetro para ver um pouco mais de si mesmo. Típico de pessoas bonitas que chegaram ao patamar de ter tudo e que se esquecem de valorizar as pequenas conquistas dos outros. Eu não quero alguém bonito, com dinheiro e fama. Quero alguém que goste de mim e respeite que eu não tenho tudo e estou longe disso. 

Me desculpem, mas não preciso ser educada com pessoas que não merecem uma pitada dela. Muito menos sou obrigada a me sentir mal por não ter conseguido ficar com uma mordidinha daquele pedaço de mau caminho.

Nao sou obrigada a nada, muito menos com homem na história.

Tenho dito.

(Imagem destaque é a vestimenta típica de alguém que desfila nas ruas na Alemanha durante o tal do Fasnet/Fasching. Diferente, para não dizer excêntrico)

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