Nossa memória gosta de relembrar momentos quanto escutamos ou cheiramos algo. Na maioria das vezes é ótimo relembrar esses momentos, saber que fizemos coisas inesquecíveis e que curtimos alguma fase. Gostamos de tanta coisa que as vezes até não sabemos do que gostamos mais…

E também gostamos de outra coisa que contraria com tudo: sentimos vontade de esquecer. Esquecer dos problemas, dos dias ruins, dos amores que passaram por nossa vida e não permaneceram, das pessoas… Queremos esquecer como se a memória tivesse um botão de liga/desliga para só mantermos na cabeça o necessário.

Querendo ou não, cada coisa não esquecida é dádiva.

Se imagine não conseguindo lembrar da família, dos amigos, da infância, do nome… a falta de memória dói. É perder a si mesmo dentro do próprio corpo, roubar memórias que já são suas.

É isso que dá dó nessa situação de trabalhar com pessoas idosas… Pessoas chorando pois a cabeça não coopera mais e você tem que tentar acalmar a pessoa que nem lembra mais quem é você. Não importa se você falar 50 vezes, ainda não saberão de quem se trata.

Dia após dia, hora após hora, eles são agradecidos de toda ajuda. Não cansam de agradecer, abraçam como se não houvessem amanhã, se despedem diariamente como se fosse a última vez. Esse dia irá chegar, eles sabem… mas espero que não seja tão cedo.

Não digo que o preço pago no asilo é barato, mas dinheiro não interessa quando o que é oferecido é o amor e a atenção. Acho que o fato de tudo ser pago não muda em nada o tratamento, o que é feito é feito de coração e de braços abertos. Sei que vou sentir muita falta de todo mundo quando a hora de ir for chegando mais perto. O que antes era aquele medo de principiante nesse mundo de entreter idosos, agora já é aquela sensação de satisfação por poder ter vivido tanta coisa. Antes eram só semanas, agora já fazem quase 7 meses que eu estou trabalhando no mesmo lugar e com tantas pessoas queridas.

O tempo passa, as vezes até rápido demais! Que saibamos aproveitar…

 

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