Em 2014, eu vim para a Alemanha e vivi poucas e boas por essa terrinha. Fui feliz, aprendi, sofri também… Apesar de já ter comentado muito sobre isto aqui no blog, ontem encontrei algumas coisas que me fizeram repensar sobre minhas experiências.

Como eu morava com uma família hospedeira em uma comunidade um pouco afastada de tudo, acabei não fazendo tantos amigos assim. As pessoas que eu via todos os dias eram aqueles que eu tinha a maioria das minhas conversas. Eu cuidava de 4 crianças pequenas, sendo que com elas meu alemão não melhorava… Sendo assim, minhas vizinhas e ex patroa eram aquelas que mais ajudaram no meu aprendizado.

A avó das crianças (Oma, em alemão), era a que mais se importava com meu bem estar. Me cuidava quando eu estava mais adoentada, me levava na Igreja ou eventos nas cidades vizinhas, dava carona caso eu quisesse sair um pouco de casa para comprar algo… era um anjo para mim naquela situação. Nos meus últimos dias lá, comentei que sentia muita falta da lentilha que minha vó fazia. Ela, por surpresa, cozinhou isso para mim e ainda deu um pacote para eu tentar fazer na minha nova casa.

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Outra que me marcou foi a vizinha que me cumprimentava de forma amável todas as vezes que me encontrava. Não me conhecia, mas sempre conversava curiosa e interessada sobre minha história. Quando eu fui embora, ela achou esse momento um momento muito triste. Disse que por morar longe, eu era uma das únicas amigas com as quais ela tinha contato diário. Por falta de oportunidade, nunca mais nos vimos até agora.

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Para Bruna, nós te desejamos 9tudo de bom para o futuro e belas lembranças do tempo vivido em Aderzhofen.
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Este bonequinho é um objeto cuja venda só é possível em um restaurante aos pés do Bussen, Igreja da comunidade vizinha (Offingen). Se o pequeno símbolo ligado a crianças for levado a Igreja, a mulher fica com a bênção para ter filhos. Funciona também quando o objeto for dado de presente (mas eu não pretendo levar tão cedo para a Igreja).

Outra que me surpreendeu muito foi uma mulher que morava na comunidade onde eu vivia. Como somente nos víamos as vezes na rua, nunca cheguei a pedir o nome dela. Na verdade ela era esposa de um senhor que por muitas vezes eu acompanhava e as vezes até ajudava a caminhar. Ele tinha pelo menos 85 anos e saía para caminhar três vezes por dia, todos os dias – sendo que muitas vezes escorregava ou tropeçava por causa da bengala que ele precisava usar. Lá sempre estava eu para acompanhar de perto, porém em um fim de semana que eu não estava lá ele caiu e se machucou. Como eu não sabia onde ele morava, não tive como me despedir dele. A mulher que me via diariamente caminhar e cantar com meus pequenos, acabou me chamando e entregando uma lembrança. Disse que era um pequeno mimo do marido que caminhava todos os dias na esperança de ter companhia minha para conversar. Eu fiquei imaginando, será que é o senhor que eu não vi mais? E era mesmo!

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Um dia eu havia dito que gostava do formato das balinhas famosas aqui na Alemanha, então ele disse para a mulher comprar no formato de corujas e outras coisas bonitas. Ela me entregou então este pacote. Lembrancinha bonita, não é?

Gosto de pensar que cada pessoa que passa por nosso caminho, acaba deixando um pouco de si. Todos estes me marcaram de um jeito muito positivo e me fizeram ver que mesmo em momentos e situações ruins, sempre acontecem coisas que valem a pena! Espero que você que está lendo, tenha pessoas assim também em sua vida…

Até a próxima!

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