Grey em #abraolivrodv

 

Na primeira vez que eu segurei um livro de 50 Tons de Cinza na mão eu falei:

-“P*ta merd*!!! Nem que me paguem eu leio uma coisa dessas…….”

Abri o livro, folheei e li uma das páginas. Isso foi o suficiente para dizer que como mulher eu iria me sentir desrespeitada se acabasse lendo mais.

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Conversando a respeito de traumas infantis (aqueles que influenciam de alguma forma a vida adulta de alguma pessoa) com a coordenadora psicológica da escola onde eu estudava, surgiu no tema o caso “Christian Grey”, personagem principal do tal livro. Ela me dizia com um certo fervor que o livro não era nada daquilo que as pessoas TANTO julgavam. Ok. Mesmo assim fiquei me negando a ler por puro preconceito.

Um dia chegou o momento que eu deixei meu orgulho de lado. Como eu poderia ter uma opinião tão negativa tendo lido somente uma página? Não que eu seja uma pessoa curiosa, mas o caso psicológico por trás da história mexeu muito comigo. Minha infância também foi um pouco conturbada e eu percebo até hoje o que certas coisas me influenciaram. Então voilà, lá fui eu ler.

Querem saber, não me arrependi!

Muitas pessoas vem loucas para cima de mim falando que esse livro é um lixo do começo ao fim e que dá vergonha para uma mulher, ver que outra lê um negócio desses. Eu também fiquei nessa situação, mas quando eu entendi o quanto a história (apesar de muito mal planejada e cheia de furos) tem um conteúdo psicológico no fundo, consegui mudar minha ideia.

Vamos aos pontos negativos colocados de forma menos ruim?

“Se um cara rico viesse pra cima de mim eu corria, e corria muito.”

Esse era um dos meus primeiros pensamentos. O que um cara rico – com tudo o que ele pode ter na vida-, iria querer procurar em uma mulher normal, com formação acadêmica no ramo da literatura inglesa e sem conhecimento nas áreas de negócios e finanças? A resposta está meio na cara: AMOR e carinho. Acho que quando a pessoa tem muito dinheiro na conta, deve ser idílico se comunicar com alguém que tem riso fácil, bom papo, que te tire da onda do mundo empresarial e te dê uma paz no coração. Alguém que queira ficar na sua companhia exatamente por você ser quem é e não pelo dinheiro que você possui. Quando se tem muita responsabilidade, uma pequena dose de atenção e empatia salva um dia todo de stress. Foi nessa situação que eu vi Christian e Ana, duas pessoas totalmente diferentes que conforme os livros iam passando, descobriram o significado de amar, algo muito mais complexo, complicado e bonito do que imaginavam antes.

“Um homem com 27 anos conhece uma mulher de 21. Ele dominador, ela virgem. E os dois vivem felizes para sempre…. blá, blá, blá, que clichê!”

Primeiro que eu pensei: isso é uma piada, só pode.

Mesmo imaginando isso ser uma piada, depois de ler eu só conseguia pensar no que é a importância de uma mulher se sentir bem com o seu corpo e tendo um homem que se preocupa com todos os desejos dela.

Que mulher que não gosta de se sentir bem consigo mesma? Conheço muitas mulheres que tem vergonha do ato sexual com a luz acesa por sentirem vergonha das curvas, celulites ou até algumas outras nóias com o próprio corpo. A Ana (na primeira noite com o Christian, quando perdeu a virgindade), teve uma coisa que muitas mulheres demoram uma vida inteira para atingir: um orgasmo. Parece simples, mas nem toda a mulher tem a sorte de ter isso pelo menos 5 vezes na vida. Achar uma pessoa que além de se preocupar com as necessidades carnais, também se preocupe com os problemas de auto-estima, falta de carinho, amor, traumas da adolescência, é quase milagre nos dias de hoje.

Indiretamente, os dois se ajudaram a serem pessoas melhores. Ela, uma mulher nova, inexperiente, que não cuidava tanto de si, se torna uma mulher forte, independente e segura. Entendem agora que a mudança não foi somente no comportamento dele?

 “Ele compra ela com celular, carro, vestidos, restaurantes e vinhos caros…”

Eu ficava revoltada quando lia, mas quando refletia eu precisava rir. Sabem por que? Se eu fosse rica e conhecesse alguém com muito menos dinheiro que eu, eu faria exatamente a mesma coisa!

Idiotice? Talvez, mas até quando eu estou apertada no quesito financeiro eu sou fã de dar presentes para os meus chegados. Se eu tivesse muito dinheiro, eu iria adorar ficar paparicando as pessoas. O que é um Smartphone quando a quantia que está no banco passa das 8 cifras? O que é um carro? Nada. Lendo a história, nos damos conta de que ele fica muito mais feliz com os presentes pequenos que recebe, do que ela com as coisas que ele dá. Touché! Os presentes são os detalhes melhores da história.

“Ele dá um contrato para ela assinar e bate nela que nem um maluco. Ele é um sádico!”

Sim, ele não só deu um contrato, como deu dois. O primeiro que ele deu pra ela assinar é um que normalmente se assina em empresas. Com esse contrato, o ato de ficar fofocando a respeito de assuntos privados é crime. Eu acho esse contrato genial, tanto que se eu tivesse um advogado, daria um contrato desses para todo e qualquer homem com o qual eu me relaciono e relacionaria talvez. O segundo contrato, um cheio de punições, regras e etc, ela lê, revisa, mas nunca assina. Engraçado não? Ele fica torcendo para que ela assine, mas no fim até ele vê que um contrato desses não faz sentido nenhum. Outra: ele bate, mas em 90% dos casos é com consentimento e gera prazer para ela. Os outros 10%, ou geraram briga, término e lágrimas, ou terminaram em ele tentando se desculpar e reconquistar ela. As situações que ele bate para tentar “punir”  ela (dá para usar essa palavra, diretor?) são consideravelmente inferiores a aquelas que ele bate por os dois gostarem disso. Outra: muitas mulheres odeiam os tais tapas e condenam absurdamente quem gosta. Mas isso meus caros, é assunto extremamente pessoal. Quem gosta, gosta e quem não gosta se abre a respeito disso e resolve de forma pacífica. Assim que funcionam relacionamentos.

Tudo tranquilo até o momento?

“Ele vive se contradizendo, para alguém dominante ele até que abre muitas concessões por/para ela…”

Sim. Muito. Demais. Mas isso geralmente acontece quando conhecemos alguém especial. A realidade dele sempre foi a de ser mandão, mas viver com outra pessoa significa aceitar, tolerar e ser mais paciente com certas coisas. Se o ser humano não tivesse a capacidade de se adaptar, eu não teria como fazer uma postagem dessas.

“A menina é bem idiota, olha a quantidade de vezes que ela conversa com o eu interior dela e corando por vergonha…”

QUEM NUNCA? Eu quando fico com vergonha, além de ficar um pimentão na cara, fico tremendo e olhando para o chão. Com ela é o mesmo. Quando eu vejo algo que me gera algum tipo de sentimento, a primeira coisa que faço é aquele papo curto com a minha consciência. Quando tudo está normal, beleza, mas quanto tudo está estranho… ah, daí eu começo longos e longos diálogos!

“A cada 2 capítulos, lá estão eles tendo uma relação sexual…”

É nessa hora que entra o mais chocante de tudo: é por causa desse fator que TANTAS mulheres leram esses livros. Sabe essas tais mulheres? Aposto que a maioria não está contente com o parceiro (a) em casa e dessa forma consegue ter alguma noção do que é se sentir realizada sexualmente com alguma pessoa. De acordo com a pesquisa Mosaico 2.0 coordenada pela psiquiatra Carmita Abdo, quase 95% de 3.000 mulheres brasileiras entrevistadas acham o sexo importante ou muito importante. Delas, a média de relações sexuais semanais é de 2x. Imaginem que dessas 2x, essa tal mulher não se satisfaz nenhuma vez? Frustrante, não é? Aí um pouco dos resultados da Pesquisa de acordo com o Jornal da USP (publicação de 24.06.2016):

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No livro, a forma como os dois se entendem entre quatro paredes é absurda… É nesse momento que a realidade de tudo isso se tratar apenas de um livro vem a tona. No livro, a conexão e a química é muito forte, tanto que na maioria dos momentos que eles estão juntos, o sexo vem junto no pacote. Em um casal da vida real onde os dois se entendem assim tão bem, quando ambos estão felizes com o que acontece, qual o motivo de reclamar?

“Ah, mas esse tal de Christian Grey tem um monte de problemas psicológicos e nem encostar nele pode…”

Nem todas as pessoas que eu conheço já passaram por um trauma, mas todas as que eu conheço que tiveram o problema, demoraram muito tempo para superar. Tem coisas que nos marcam para a vida inteira e se não temos ninguém para nos ajudar, a sensação de estar no fundo do poço perdura. É triste, sim. Se você leu o livro, deve saber como tudo foi difícil de aceitar. Se você se interessa por psicologia, também deve ter visto o quanto o amor e a aceitação ajudaram o pobre homem rico chamado Senhor Grey.

Foi por isso que eu li o livro Grey também, a versão da história com a visão do Christian. Esse último livro foi o complemento que faltava para a história ficar clara, muito interessante poder ver a história por todos os lados 🙂 É esse livro que pretendo indicar logo de cara!

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Acho que era isso. Concordo com todo mundo que diz que a história foi mal escrita e que muitos detalhes deveriam ter sido explicados de outra forma. Mas gente, vamos aos fatos: 50 Tons de Cinza é uma fanfic de Crepúsculo que deu certo. A escritora, E. L. James remodelou a fanfic enquanto estava tendo sua crise de meia idade, colocando assim todas as suas fantasias para fora. E. L. James não tinha nenhuma experiência na área, a única coisa que tinha era a vontade de fazer os fãs se apaixonarem por sua escrita. Ela é só uma mulher comum, casada, mãe de dois filhos adolescentes e que decidiu escrever e publicar seus livros. Gente como a gente, sabe?

Acho que dessa forma consegui colocar tudo o que queria para fora. Espero abraços e também muitas críticas nos comentários, mas essa foi a visão que eu tive depois de ler os 4 livros. Claro, eu repensei muito antes de publicar, mas espero que minha visão também faça vocês pensarem um pouco. Tão ruim assim o livro não é, uma pequena dose de respeito já faz bem!

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Até a próxima!

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