O dia que eu fui cadeirante por uma tarde na cidade de Munique

Experiência. Palavra linda, não é? Olhando minhas fotos de 2015 no computador, achei uma pasta com textos e imagens que eu juntei durante o tempo que fiz meu ano social em um asilo no sul da Alemanha. Naquele tempo eu tinha 5 seminários obrigatórios perto de Munique, na Bavária/Baviera. No tal seminário que eu participei do dia 11 ao dia 15 de outubro fizemos uma coisa que me fez pensar muito na minha vida e como eu tenho que me sentir enormemente agradecida por tudo o que eu tenho: um passeio em cadeira de rodas em meio a toda a turbulência de uma cidade turística.

cadeira de rodas
Fonte: http://bit.ly/2hYFEu1

Saímos em grupos de 3 ou 4 pessoas e fomos de trem para Munique. O ser humano é incrível… a capacidade de mutação e transformação é sem comparação. A cidade é grande, famosa, cheia de turistas… porém acolhedora. Entramos em várias lojas e todos tentaram ajudar de alguma forma. Eram mais gentis conosco (sentados em cadeiras de roda) do que com muitos outros turistas ou moradores. Não nos olhavam com sentimento de pena, mas sim de respeito.

Uns até pediam: “Ué, o que aconteceu com você?? Tão nova e na cadeira de rodas!!” e citávamos algum exemplo de algo que possa deixar alguém nessa situação. Claro, olhavam para nós com aquela cara de “esse destino sacana…”, mas de alguma forma nos agradeciam por mostrar que a vida de um deficiente é limitada, mas nem por isso precisamos chorar.

Ao mesmo tempo, ver a cidade e as pessoas de baixo é muito complexo. O sentimento não é de inferioridade, é um pleno branco na sua cabeça. Você vê pessoas indo e vindo, porém não pode levantar e fazer igual. Coisas como andar de escada rolante, subir escadas, degraus, que antes eram coisas normais, você olha e pensa: “Meu Deus, como que os cadeirantes conseguem tudo isso sozinhos?”

Admiração. Admiração é outra palavra que eu junto com experiência. E orgulho. Orgulho por todas as pessoas que de alguma forma sofreram com a perda de movimentos e que ainda dão as caras por aí e me fazem ter mais certeza ainda de que essa vida merece sim ser vivida. Na cadeira, ou tanto faz em qual lugar.

[ Minhas imagens autorais não tem a autorização dos colegas da época]
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